Uma articulação política envolvendo o presidente do PL de Itabuna, o presidente do PL de Coaraci e o vereador do União Brasil, Tandique Rezende, tem causado forte repercussão nos bastidores da política regional. O grupo passou a se posicionar de forma coordenada contra os movimentos políticos e o crescimento de Thiago Martins, uma das principais lideranças da direita em ascensão na Região Cacaueira.
O episódio ganhou contornos ainda mais graves quando o presidente do PL de Coaraci passou a repostar, nas redes oficiais do Instagram do partido, denúncias feitas por um vereador do União Brasil contra Thiago Martins. O comportamento, considerado no mínimo duvidoso por filiados e militantes, levanta questionamentos legítimos: essa postura tem a anuência das lideranças estaduais do partido? Houve autorização do presidente do PL na Bahia, João Roma, ou dos deputados federais da legenda?
Nos bastidores, outro questionamento ganha força: estariam bases políticas ligadas à deputada federal Roberta Roma atuando contra lideranças associadas ao deputado federal Capitão Alden? A dúvida cresce à medida que os ataques se intensificam justamente contra uma liderança que vem ganhando projeção e apoio popular.
O estranhamento aumenta diante do fato de que Thiago Martins tem se consolidado como uma das vozes mais ativas da oposição ao governo do PT na Bahia, especialmente por meio de denúncias sobre obras paralisadas em diversas regiões do estado. Esse trabalho tem gerado amplo engajamento, apoio popular e crescimento político — mas também reações negativas, inclusive dentro do próprio campo da direita.
Aliados afirmam que as denúncias feitas contra Thiago Martins são infundadas e carentes de provas, contrastando com o histórico público do vereador que as promove. O parlamentar do União Brasil responde a acusações envolvendo possível prática de rachadinha em gabinete, assédio moral contra servidores e desvio de função pública, além de ser conhecido por episódios recorrentes de conflitos e brigas físicas na Câmara Municipal.
Outro ponto que chama atenção é um vídeo recente divulgado pelo grupo. Quem aparece como principal porta-voz é Guilherme, ex-coordenador regional da campanha presidencial de Marina Silva e atualmente integrante do governo federal petista. A presença de um quadro historicamente ligado à esquerda em um movimento que se apresenta como de direita amplia as dúvidas sobre os reais interesses da articulação.
A incoerência se aprofunda quando o próprio vereador Tandique Rezende já manifestou apoio e chegou a apontar Jabes Ribeiro — político de centro-esquerda, ex-aliado do ex-governador Rui Costa e que se autodeclara comunista — como possível liderança política. Jabes, inclusive, ostenta registros públicos com Jair Bolsonaro e Lula, evidenciando ainda mais a ambiguidade do grupo.
No Legislativo municipal, o histórico de votações do vereador também é alvo de críticas. Ele votou favoravelmente ao aumento do próprio salário, apoiou a venda do Parque de Exposições e tem adotado posturas que, na prática, se alinham mais à esquerda do que ao discurso conservador que sustenta publicamente.
O grupo ainda reúne figuras que integraram o PL na última eleição municipal e que, à época, romperam com Thiago Martins por defenderem a manutenção do coronel Rezende como candidato, movimento que, segundo avaliações internas, teria contribuído diretamente para a vitória do PT. Diante disso, a pergunta se impõe: por que integrantes do PL atuariam para favorecer eleitoralmente o PT?
Para militantes da base bolsonarista da Região Cacaueira, o cenário é claro: trata-se de um movimento que não busca fortalecer a direita, mas dividi-la, criar ruído, enfraquecer lideranças emergentes e gerar instabilidade interna. Um grupo que não participou das mobilizações, denúncias e manifestações organizadas por Thiago Martins na região, mas que agora surge para atacar e fragmentar.
Fica, portanto, o questionamento final: o PL vive um processo de desorganização interna na Região Cacaueira? E mais: por que tais posturas não são repreendidas pelas lideranças estaduais do partido? O silêncio, neste caso, também comunica.