Um evento de adesivaço realizado em Itabuna gerou forte repercussão no meio político regional e levantou questionamentos sobre a condução política da direita local. A mobilização foi liderada por Chico França, presidente do PL de Itabuna, e contou como convidados com o presidente do PL de Quaraci e com o vereador Tandick Resende, filiado ao União Brasil, do município de Ilhéus.O que chamou atenção foi o timing político do ato. O adesivaço aconteceu um dia após um evento realizado na mesma cidade por Thiago Martins, o que levou lideranças e militantes da direita a interpretarem a iniciativa como uma afronta direta e um sinal claro de fragmentação do movimento conservador em Itabuna.A situação se agravou durante o discurso do vereador convidado. Mesmo sendo de outro partido e de outro município, Tandick Rezende utilizou o espaço para atacar publicamente o presidente estadual do PL, João Roma. Em sua fala, afirmou que João Roma “precisava abrir os olhos e mudar sua postura”, chegando ainda a declarar que o dirigente seria “menor do que a direita”, sustentando que o movimento conservador seria maior do que qualquer liderança partidária.Diante do episódio, um questionamento passou a ganhar força nos bastidores políticos de Itabuna: por que o presidente do PL local trouxe um vereador de outro partido e de outra cidade para atacar publicamente o próprio presidente estadual do PL dentro de Itabuna? E mais: por que, para reforçar o ato, foi convidado o presidente do PL de COARACI, que permaneceu ao lado do vereador durante as declarações?O questionamento se torna ainda mais relevante pelo fato de que, mesmo após os ataques, o evento seguiu normalmente, sem que houvesse qualquer repreensão pública por parte de Chico França às falas do vereador do União Brasil. O silêncio da liderança local foi interpretado por observadores políticos como conivência ou endosso tácito às críticas dirigidas ao comando estadual do partido.Nos bastidores, a avaliação é de que o episódio expõe falhas de alinhamento político, disputas internas e fragilidade na condução estratégica, especialmente quando atos liderados pelo PL são utilizados por representantes de outros partidos para atacar a própria estrutura estadual da sigla. Para setores da direita, o alerta está dado: sem unidade e clareza de propósito, o risco de enfraquecimento do movimento se torna cada vez maior no sul da Bahia.
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